quinta-feira, 23 de abril de 2020

The Book of Spirals

CD – Creative Sources Recordings – CS641, Lisbon 2020



















1. swirl - 22'38''
2. whirl - 13'08''
3. twirl - 18'30''




Ernesto Rodrigues - Viola
Guilherme Rodrigues - Cello
Hernâni Faustino - Double Bass
Rodrigo Pinheiro - Piano
Pedro Carneiro - Marimba (with quarter tone extension)




Recorded December 2019, Algés
Cover design Carlos Santos



Reviews

Two excellent albums released by the Operation-Family-Rodrigues in the middle of the COVID 19 era.
"The Book of Spirals" is a masterpiece of their genre: fully free improvised music with plenty of classical chamber music roots, combined with he deep free jazz background.
The album was recorded in December 2019 by Pedro Carneiro at Orquestra de Cámara Portuguesa, Algés. Ernesto and Guilherme are joined here by a super-group with Hernâni and Rodrigo. The fifth member is also one of the attraction of this quintet: it is Pedro Carneiro, playing marimba with quarter tone extension.
There are three tracks, and the opening 22 minutes long "swirl" is a kind of highlight. The delicate conversations of the marimba with piano, and with the strings are breathtaking. The second "whirl" is shorter and faster, but created the same incredible atmosphere and mood.
The nal highlight is "twirl", a slow free-improvised ballad, with plenty of lyrical content underlined by Hernâni's bass bowing, delicate piano lines, and again by absolutely stupendous marimba. Of course, all of this has an essential content of strings played by Ernesto and Guilherme. Maciej Lewenstein




Another recent release from European musicians, again featuring piano (appearance of the latter having skipped the previous entry), and before moving on to a handful of items from elsewhere, is The Book of Spirals from another quintet around Ernesto Rodrigues — here joined by Rodrigo Pinheiro, Pedro Carneiro (marimba with quarter tone extension), Hernâni Faustino & Guilherme Rodrigues for this December 2019 performance of three tracks totaling nearly an hour. Following the percussive & almost jazzily frenetic at times Pentahedron (as recorded the month prior, and as discussed here last month), this is once again a relatively extroverted performance — as also marked by the participation of Faustino. And following on his performance with Lisbon String Trio amid the understated & shifting modal coloring of Rhetorica (discussed here in August 2019), Pinheiro is also rather more at the center of the action here — in particular together with Carneiro, the two forming something of a tempered & percussive backbone duo for the improvisations as a whole. (And I only know Carneiro from his relatively central role on the older Chant, an enigmatic quintet album around João Camões — & like Pentahedron, also involving Zingaro: The circle is completed, perhaps, by the even earlier Earnear, first discussed here in December 2015, from a trio with Pinheiro & Camões joining LST's Miguel Mira....) Faustino then brings a broadly communicative & steady articulation to The Book of Spirals, balancing (perhaps) the contrapuntal timbre music of the Rodrigueses, the latter functioning more to fill & tilt textures around the piano-marimba backbone.... From there, the music often builds impressive momentum, with various runs & swells, evoking both wild & more urban settings, including by becoming more rhetorical or mysterious by the end. In that sense, & also like Pentahedron, it becomes more like a "free music" album of a prior vein than some of Rodrigues' own recent explorations focusing more thoroughly on timbre & infrachromaticism.... It does start strongly & creatively, though, as so many of these novel groupings seem to do, into kind of an unwinding & then various waves, including through more classical moods. Extended techniques are not absent either, as indicated e.g. by quarter-tone marimba, making for yet another intriguing (augmented) improvising string ensemble album from Creative Sources, in yet another novel formation. Indeed, The Book of Spirals is rather aggressive & even flashy at times (especially given that it doesn't involve horns), but tender or provocative (or even almost static & procedural) at others. Todd McComb's Jazz Thoughts

Juntar Pedro Carneiro, percussionista de música erudita contemporânea que também improvisa, e Rodrigo Pinheiro, pianista improvisador que tem as suas matrizes de referência tanto no jazz quanto na tradição clássica, só poderia resultar em algo de especial. No caso de “The Book of Spirals” envolvidos estão também três músicos que muito têm feito para esbater fronteiras entre géneros musicais, o violoncelista Guilherme Rodrigues, o violetista Ernesto Rodrigues e o contrabaixista Hernâni Faustino. Os “atractores estranhos” das ordenações do caos que vêm neste disco são, portanto, a marimba de Carneiro (seu principal instrumento) e o piano de Pinheiro, e se é certo que o factor timbre é de suma importância neste contexto, os dois músicos definem a sua interacção no propósito – espontâneo, intuitivo, improvisado, relembre-se – de construir situações harmónicas a partir de impulsos rítmicos, generosamente amplificadas, ou contrariadas, pelas cordas.

Resultado: a música é saltitante, decorre por erupções, soluços. Imaginamos logo toda uma coreografia, porque é disso que se trata, movimento. Às tantas, no longo primeiro tema, “Swirl”, os dois Rodrigues e Faustino ora instalam ambiências em “drone”, ora intervêm com notas longas, transformando o salto em languidez. O que vem a seguir é uma mescla dos dois planos e isso faz com que tudo ganhe uma relevância dramática poucas vezes conseguida quando estamos perante abordagens tão abstractas. O que antes se pressentia confirma-se: o que aqui está é música de dança, mesmo que não tenha sido criada para tal efeito. E das melhores que temos ouvido em muito tempo. A forma como todos estruturam e encenam o que vamos ouvindo é notável e parece, inclusive, pré-determinada. Há crescendos de intensidade que depois se diluem, em manifestações muito físicas de sístole e diástole, e quando se atinge um clímax final, vem a seguir o apaziguamento. “Whirl” segue os mesmos princípios de outro modo, com mais urgência e mais argumentos. Não há qualquer economia de sons, mas nada parece vir a mais. Nos últimos minutos, resolvida a sofreguidão com que tudo acontece, somos também conduzidos para um mar de serenidade. “Twirl” percorre o caminho inverso: contamina a calma com inquietação, desperta os corpos imaginários que habitam a peça e dá-lhes vida. Quem diria que a presente livre-improvisação tem ainda Terpsícore como musa… REP (Jaazz.pt)

“The Book of Spirals” conta-nos uma viagem. Viagem essa que começa de forma meio atribulada entre escadarias e vales.
Se ouvirem “swirl” com atenção perceberão o que escrevo. O piano do Rodrigo Pinheiro é indescritivelmente marcante. Ora o degrau está lá subtil e baixinho, ora se demarca entre as cordas dos outros instrumentos e a marimba do Pedro Carneiro.
Ora quem pensa que a viagem é linear, numa auto-estrada em velocidade cruzeiro, que se desengane.
É para ouvir de headphones, porque cada pormenor tem de entrar bem pelas vias auditivas até que o cérebro processe que é um quinteto e que cada um dá um pouco de si a cada nota. Viajam no mesmo carro, os cinco, mas sem um condutor. São os cinco ao volante, conduzem e deixam-se conduzir.
Anseio por ouvir a respiração de um deles. Sinto que uma respiração presente nos levaria para dentro do carro. Mas lá vão eles.
Aos sete minutos é como se o carro parasse para saírem e seguirem a pé. Seguem em marcha moderada e mostram-nos o ambiente externo que os rodeia. “Swirl” é isso mesmo! Um rodopio, um turbilhão entre o interior de um carro em andamento e uma caminhada em que nos embrenhamos numa densa e complexa teia de sons, sensações e caminhos.
E quando a viagem ainda está a começar pensamos que o destino final só pode ser brilhante. A meio de “swirl” é isso que este disco nos promete. Uma viagem com um destino absolutamente introspetivo.
Aquela marimba que nos faz sentir num cenário de suspense, o contrabaixo repentino e brusco que nos leva de um lado para o outro, o piano que nos faz querer subir a escadaria que surge inesperada no caminho, o violoncelo tão subtil que nos apazigua e a viola que nos acompanha entre diálogos nesta longa viagem cheia de curvas e contra-curvas.
Em 22 minutos, entrámos e saímos de um carro em andamento, caminhámos num bosque cerrado onde do nada surge uma escadaria e acabámos sentados, ao lado do quinteto, à espera de recuperar a respiração.
Do esperado ao inesperado, há tempo para que tudo decorra. Quando entramos em “whril” continuamos atentos à história. Que se adensa, se torna mais embrenhada, intensa e complexa. E claro que se torna mais complexa, estamos a falar de Ernesto Rodrigues, Guilherme Rodrigues, Hernâni Faustino, Rodrigo Pinheiro e Pedro Carneiro.
Continuamos num corropio, num turbilhão que se torna de tal forma intenso que para trás ficam todos os lugares por onde já tínhamos passado nesta viagem.
Entramos em novos ambientes, novos cenários, que aceleram o ritmo da respiração e nos deixam na dúvida sobre o destino para onde afinal, tão certos, caminhávamos. A viagem não é linear. E sobre isso eu já tinha avisado. E quando fazemos viagens sem destino pré-definido o prazer de acompanhar o quinteto cresce. Quantos de nós não gosta de se colocar num carro com destino incerto e ir experienciando as peripécias que o inesperado nos pode trazer.
“Twirl” é o momento em que sabemos que estamos a caminhar para o fim do disco. A forma clara com que se anuncia prepara a nossa mente para não deixar passar um único pormenor.
É incrível como nos sentimos a voltar ao início da viagem. Voltamos aos poucos à escadaria que surge escondida após pararmos o carro.
Voltamos aos momentos que nos fizeram iniciar a viagem. Deixamos o rodopio de “whirl”, esquecemo-nos que estamos em “twirl” e sentimos que voltamos onde tudo começou - “swirl”. Mas isso pensamos nós, porque aos 15 minutos temos de preparar-nos porque a viagem, que parecia estar a terminar, sofre um rodopio. E quando a viagem acaba, sentimos que afinal não estamos no ponto em que começámos.
Nem pensar!
Um disco para ouvir atentamente onde os cinco conduzem e são conduzidos e nos levam numa viagem com o tempo certo para nos perdermos entre estradas, bosques, escadarias e afins. Margarida Azevedo ([DIZ]SONÂNCIAS)
“The Book of Spirals” conta-nos uma viagem. Viagem essa que começa de forma meio atribulada entre escadarias e vales.
Se ouvirem “swirl” com atenção perceberão o que escrevo. O piano do Rodrigo Pinheiro é indescritivelmente marcante. Ora o degrau está lá subtil e baixinho, ora se demarca entre as cordas dos outros instrumentos e a marimba do Pedro Carneiro.
Ora quem pensa que a viagem é linear, numa auto-estrada em velocidade cruzeiro, que se desengane.
É para ouvir de headphones, porque cada pormenor tem de entrar bem pelas vias auditivas até que o cérebro processe que é um quinteto e que cada um dá um pouco de si a cada nota. Viajam no mesmo carro, os cinco, mas sem um condutor. São os cinco ao volante, conduzem e deixam-se conduzir.
Anseio por ouvir a respiração de um deles. Sinto que uma respiração presente nos levaria para dentro do carro. Mas lá vão eles.
Aos sete minutos é como se o carro parasse para saírem e seguirem a pé. Seguem em marcha moderada e mostram-nos o ambiente externo que os rodeia. “Swirl” é isso mesmo! Um rodopio, um turbilhão entre o interior de um carro em andamento e uma caminhada em que nos embrenhamos numa densa e complexa teia de sons, sensações e caminhos.
E quando a viagem ainda está a começar pensamos que o destino final só pode ser brilhante. A meio de “swirl” é isso que este disco nos promete. Uma viagem com um destino absolutamente introspetivo.
Aquela marimba que nos faz sentir num cenário de suspense, o contrabaixo repentino e brusco que nos leva de um lado para o outro, o piano que nos faz querer subir a escadaria que surge inesperada no caminho, o violoncelo tão subtil que nos apazigua e a viola que nos acompanha entre diálogos nesta longa viagem cheia de curvas e contra-curvas.
Em 22 minutos, entrámos e saímos de um carro em andamento, caminhámos num bosque cerrado onde do nada surge uma escadaria e acabámos sentados, ao lado do quinteto, à espera de recuperar a respiração.
Do esperado ao inesperado, há tempo para que tudo decorra. Quando entramos em “whril” continuamos atentos à história. Que se adensa, se torna mais embrenhada, intensa e complexa. E claro que se torna mais complexa, estamos a falar de Ernesto Rodrigues, Guilherme Rodrigues, Hernâni Faustino, Rodrigo Pinheiro e Pedro Carneiro.
Continuamos num corropio, num turbilhão que se torna de tal forma intenso que para trás ficam todos os lugares por onde já tínhamos passado nesta viagem.
Entramos em novos ambientes, novos cenários, que aceleram o ritmo da respiração e nos deixam na dúvida sobre o destino para onde afinal, tão certos, caminhávamos. A viagem não é linear. E sobre isso eu já tinha avisado. E quando fazemos viagens sem destino pré-definido o prazer de acompanhar o quinteto cresce. Quantos de nós não gosta de se colocar num carro com destino incerto e ir experienciando as peripécias que o inesperado nos pode trazer.
“Twirl” é o momento em que sabemos que estamos a caminhar para o fim do disco. A forma clara com que se anuncia prepara a nossa mente para não deixar passar um único pormenor.
É incrível como nos sentimos a voltar ao início da viagem. Voltamos aos poucos à escadaria que surge escondida após pararmos o carro.
Voltamos aos momentos que nos fizeram iniciar a viagem. Deixamos o rodopio de “whirl”, esquecemo-nos que estamos em “twirl” e sentimos que voltamos onde tudo começou - “swirl”. Mas isso pensamos nós, porque aos 15 minutos temos de preparar-nos porque a viagem, que parecia estar a terminar, sofre um rodopio. E quando a viagem acaba, sentimos que afinal não estamos no ponto em que começámos.
Nem pensar!

Um disco para ouvir atentamente onde os cinco conduzem e são conduzidos e nos levam numa viagem com o tempo certo para nos perdermos entre estradas, bosques, escadarias e afins. Margarida Azevedo ([DIZ]SONÂNCIAS)

Pedro Carneiro, destacado percussionista ligado às vias eruditas, se une aqui a quatro dos principais nomes da cena free impro portuguesa: Ernesto Rodrigues (viola), Guilherme Rodrigues (violoncelo), Rodrigo Pinheiro (piano) e Hernâni Faustino (baixo acústico). Carneiro esteve no Brasil em algumas oportunidades, sendo a mais recente no ano passado, quando se apresentou com a Orquestra Sinfônica Brasileira (RJ). Essa sua bagagem musical ajuda a fazer com que novos horizontes sonoros se abram nesta gravação realizada em dezembro de 2019 em Algés, onde fica a sede da Orquestra de Câmara Portuguesa, idealizada e comandada por ele. Munido apenas de marimba, Carneiro mostra nas três longas peças (que vão de 13 a 22 minutos) que compõem o álbum também ser um fino improvisador, em um rico diálogo de ideias que faz com que o quinteto exale a precisão de um conjunto de câmara que há muito toca junto. A desafiadora música elaborada pelo quinteto exige uma atenção de quem vai a uma sala de concerto: os detalhes pinçados em cada instrumento, a construção lenta das peças, de rumos nem sempre explícitos, a intromissão ora de uma corda, ora de uma tecla, surgindo e desaparecendo no ar, o silêncio atuante como sexto elemento.  É música para se ouvir com tempo e foco. E se encantar. Fabricio Vieira (FreeForm, FreeJazz)

Not your average Creative Sources releases, the father/son collaboration of Ernesto Rodrigues on viola and Guilherme Rodrigues on cello are joined by 2/3 of Red Trio — Hernani Faustino on double bass and Rodrigo Pinheiro on piano — with Pedro Carneiro on marimba, for an impressively active set of Swirling, Whirling and Twirling improvisations. The Squid's Ear



terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Hippocampus guttulatus

CD - Creative Sources – CS636, Lisbon 2020


















1. I - 30'42''




IKB ENSEMBLE

Ernesto Rodrigues - Viola
Maria do Mar - Violin
Guilherme Rodrigues - Cello
Miguel Mira - Cello
Hernâni Faustino - Double Bass
Mariana Carvalho - Piano
Miguel Almeida - Acoustic Guitar
Abdul Moimême - Prepared Electric Guitar
Kriton Beyer - Daxophone
Emilie Skreijelj - Accordion
Etienne Brunet - Harmonica
Bruno Parrinha - Bass Clarinet
João Almeida - Trumpet
Nuno Torres - Alto Saxophone
Joana Sá - Soprano Saxophone
Pedro Frazão - Euphonium
Miguel Canada - Tuba
Carlos Santos - Electronics
Carla Santana - Electronics
Pedro Carneiro - Marimba
Tom Malmendier - Percussion
João Valinho - Percussion


Recorded November 2019, Lisbon
Cover design Carlos Santos



Reviews

One of the most amazing Lisboa's specialties are extended ensembles such as IKB Ensemble that made the first release of Creative Sources in 2012, and until the Covid19 era recorded 9 albums. Unfortunately, the seven early ones are missing in my collection, but I report here on the last two, including "Hippocampus Guttulatus", released just before the Covid19 lockout in February 2020.
The titles of all albums correspond to Latin names of "exotic" and strange animals. Quoting the short description of their first record from the Soundhom web page: "Portugal's IKB Ensemble is an electro-acoustic improvising ensemble with a strong string and wind section, balanced with electric guitar, electronics, and percussion. This is a beautiful example of communal playing allowing textures and unique voices to surface and submerge, where no voice subsumes the other, but work together to create a unique and intriguing tapestry of sound."

[...] "Hippocampus Guttulatus", lasting 31 minutes, is very different, but even better. It is also an example of free improvised minimal music, but more intense and expressive. It is also a live recording by Miguel Azguime from November 2019, realized during the CreativeFest XIII at O'Culto da Ajuda, Lisbon. In contrast to "Paradoxurus Hermaphroditus", "Hippocampus Guttulatus" contains very little "fake" sounds: most of the instruments generate "normal" sounds that are recorded in such a way that they can be recognized: strings together and solo, double bass, bass clarinet, tuba, marimba, percussion, piano, guitars, reeds, trumpet and electronics. The track builds the tension and the mood up and down, and di fferent instruments and groups of instruments enter and pass, return and pass again. This music is absolutely fascinating and totally innovative, novel, cutting-edge, ground breaking, seminal, revelatory, you name it. Marimba parts drive me crazy. Maciej Lewenstein



Pentahedron

CD - Creative Sources Recordings – CS642, Lisbon 2020


















1. I - 29'49''




Carlos "Zíngaro" - Violin
Ernesto Rodrigues - Viola
Guilherme Rodrigues - Cello
Hernâni Faustino - Double Bass
José Oliveira - Percussion


Recorded November 2019, Lisbon
Cover design Carlos Santos



Reviews

Another masterpiece from the quintet of Portuguese Giants of chords, supported by the incredible José Oliveira on percussion. This live recording by Miguel Azguime on November was realized during the Creative-Fest XIII at O'Culto da Ajuda, Lisbon. It is a 30 minutes of incredibly creative conversations between the true masters, who mostly use bows, but not only. For me the particularly amazing is the sound and form of 70 years old Carlos, whose freshness is simply unbelievable. I like especially the pre- final part of the track that reminds me of contemporary classical string music of Helmut Lachenmann or Giacinto Scelsi. And, the final with is explosive. Muito obrigado, Carlos et consortes!!! Maciej Lewenstein

Creative Sources releases are seeming a little slow to appear of late — something to which the label had seemingly been immune, in the midst of its massive outpouring... — but Ernesto Rodrigues does continue to post his own work regularly on Bandcamp: In particular, the new string-focused quintet album Pentahedron, dating from CreativeFest XIII this past November, offers yet another collective interaction around a member of Red Trio: Bassist Hernâni Faustino had appeared elsewhere with Rodrigues, e.g. in Octopus on Mimus (as discussed here in January 2019), but he's much more a pole of the interaction on Pentahedron, to the point that I found myself spontaneously asking on first audition, "Wait, is that a bass solo?" In that sense, the music on Pentahedron is then rather more traditionally jazzy than e.g. that with the Lisbon String Trio (perhaps recalling some of the idioms from the first phase of Rodrigues' III Phases series, as coincidentally also noted here in January 2019) — such an impression being bolstered by the other musical pole on Pentahedron, Carlos Zingaro on violin. (Zingaro had of course already appeared with Rodrigues & LST on Theia, first discussed here in July 2018.... But the actual ensemble here, albeit around rather different formal investigations, is much more similar to the quintet with percussion around João Camões on Chant....) There's thus very much a sense of (e.g. FMP) tradition, as well as an investigation of momentum — including somewhat uncharacteristically around groove — more generally, via almost a world-weary working-through, (at times) pace some traffic figures & extended string timbres, especially from the middle of the texture. (There's also a sense of completion that arrives several minutes prior to the real close to the proceedings, resulting in a more timbrally transformative approach being engaged, nonetheless soon coming to reconfigure around momentum again, before fading to close.... One might thus speak of two tracks, although the total album length remains under half an hour....) And those middle textures are, in part, where Rodrigues has been so transformative in general, here with Guilherme Rodrigues (cello) as well, in addition to José Oliveira on percussion — the latter generally taking a more traditionally rhythmic "accent" approach, after being absent from the Creative Sources catalog for quite some time, especially relative to his early involvement (during which Oliveira appeared on the first three albums released by the label — & on the first five to include Ernesto Rodrigues himself). The result is that Pentahedron is relatively aggressive for much of its length, somewhat in keeping with e.g. the "concerto" style on Sediments with Gabriel Ferrandini on drums (as discussed here in December 2019), and certainly with the quasi-extroverted presentation on Rhetorica with Rodrigo Pinheiro on piano (as already discussed here in August 2019), such that it forms something of a set (i.e. around Red Trio) with those two (most recent, as it happens) LST issues. (That the participation of Faustino on bass would conflict with Alvaro Rosso of LST thus apparently figures this particular combination, although that's more about the way the bass specifically functions on Pentahedron: Generally adding another bassist to LST seems feasible to me, although it hasn't occurred....) Anyway, it doesn't seem that Pentahedron is especially innovative, at least compared to some of Rodrigues' other work, but it does make for an enjoyable, and presumably relatively approachable, release featuring more improvised string music in a virtuoso concert setting. Might it even be described as a crowd pleaser? Todd McComb's Jazz Thoughts

Foi tardia a inclusão de Carlos “Zíngaro” no catálogo da Creative Sources (tal aconteceu apenas em 2018, como convidado do Lisbon String Trio no álbum “Theia”), e anos depois de ter desaparecido da lista de novas edições da também portuguesa Clean Feed. Eis que o violinista surge agora num registo da editora conduzida por Ernesto Rodrigues, ao lado deste, de Guilherme Rodrigues e de Hernâni Faustino nos restantes cordofones (viola, violoncelo e contrabaixo, respectivamente), com o acrescento do regressado percussionista José Oliveira, que durante algum tempo esteve afastado da cena nacional da improvisação. A gravação de “Pentahedron” foi realizada ao vivo, no concerto que o quinteto deu o ano passado no Creative Sources Fest (O’culto da Ajuda) e essa dimensão “live” faz-se sentir ao longo da audição, habilmente captada por Miguel Azguime.

“Pentahedron” pode não surpreender aqueles que procuram novos caminhos improvisacionais, mas tem diversas virtudes. Uma é dar-nos uma perspectiva do ponto em que estamos desse subgénero a que se chamou de “música de câmara improvisada”. Esclarece-nos quanto à dívida que esta tem para com os legados da música erudita e também quanto às formas como se tem emancipado da dita, e coloca a claro tanto as heranças vindas do free jazz como o modo como estas são diluídas em algo de diferenciado. Outra mais-valia está na ultrapassagem da estagnação sofrida pelo reducionismo, tendência com que Ernesto Rodrigues é conotado. Poucas das premissas desta sobrevivem aqui – não obstante a abordagem iminentemente textural e tímbrica, não há economia de notas nem aproximações ao silêncio, e sim expressão, narrativa e esse factor distintivo que é o gesto. Cada som implica movimento, performatividade, entrega física, aquilo precisamente que pedimos à improvisação e este título consegue transmitir-nos sem que usemos os olhos. Quando os ouvidos vêem, é porque a música atinge a aspirada plenitude. Rui Eduardo Paes (Jazz.pt)



Quintet à cordes plus percussion dans un mode improvisé contemporain à la fois dense et aéré, éminemment collectif et tout en finesse. Violon – Carlos « Zingaro » Alves, alto – Ernesto Rodrigues, violoncelle – Guilherme Rodrigues, contrebasse – Hernâni Faustino et percussions - José Oliveira. L’ensemble opère avec des interventions millimétrées de chaque cordiste individuellement et des voicings à deux, trois ou quatre telle une constellation de frottements d’archets en métamorphose permanente aux sonorités étirées, compressées ou élancées traçant des volutes sinueuses ou des ostinatos d’harmoniques se transformant en cadences composites. Une seule longue improvisation évolue par paliers d’agrégats opaques ou diaphanes, séquences fugaces ou drones agglutinantes en mutation constante ou un silence passager interrompu par des entrechocs col legno, point de départ d’un mouvement plus complexe où les éléments du collectif s’écartent mu par une force centrifuge invisible... alternant avec une autre séquence minimaliste. Le percussionniste commente et colore l’ensemble avec une belle dynamique et une inventivité qui découlent des principes mis en exergue par le grand John Stevens. On découvre les possibilités infinies de toucher- gratter – frotter – secouer de la percussion et leurs dimensions finement aléatoires. Finalement, le travail d’Oliveira vient alimenter les réactions instinctives du quatuor cordiste vers un final dont l’intensité et la fréquence des frappes et chocs décroît subitement vers le silence. Que la durée réelle soit de 28 minutes importe peu car les cinq musiciens ont investi le temps en l’étirant, le fragmentant jusqu’à le rendre imperceptible par la grâce des infinies variations musicales, d’arabesques éphémères, de croquis touffus, de pointes élancées, de strates de textures mouvantes … À la fois musique en chantier spontanée et construction raisonnée faite de mouvements distincts et coordonnés soulignant l’intense et lucide écoute mutuelle interactive et proactive. Un véritable chef d’œuvre qui transcende les ismes et tendances inhérentes à la pratique de l’improvisation libre. J-M van Schouwbourg (Orynxx)

Alguns dos nomes mais representativos da cena de Portugal se uniram neste quinteto. Em gravação ao vivo que aconteceu em novembro de 2019, durante o Creative Fest XIII, no O'Culto da Ajuda, em Lisboa, Pentahedron concentra essas vozes em uma peça de improvisação coletiva altamente madura e perfeitamente equilibrada. Formado por Carlos Zíngaro (violino), Ernesto Rodrigues (viola), Hernâni Faustino (baixo), Guilherme Rodrigues (violoncelo) e José Oliveira (bateria), o quinteto exibe apenas 29 minutos de música (não sei se ao vivo rolou mais). No que poderia ser um quarteto de cordas, temos a interessante adição do trabalho percussivo de Oliveira, que oferece outras possibilidades rítmicas ao desenvolvimento da música apresentada. A peça já começa com força, com a percussão rasgando o ar em entradas e saídas precisas, enquanto as cordas vão encontrando seus rumos, se preparando quer seja para interações entre elas, quer seja para momentos de protagonismo deste ou daquele instrumento. Sólido exemplar da potência atual da música improvisada portuguesa. Fabricio Vieira (FreeForm, FreeJazz)

An impressive highly interactive and extended improvisation focused mostly on strings, with label leader Ernesto Rodrigues on viola, Guilherme Rodrigues on cello, plus Red Trio's Hernani Fasutino on double bass and legendary Portuguese violinist Carlo Zingaro, with Jose Oliveira adding active percussive interaction, captured live at the CreativeFest XIII in 2019. The Squid's Ear